Rio Grande do Sul bate recorde na redução de ataques a bancos

Numa sequência de redução nos índices criminais, o Rio Grande do Sul registrou no mês de outubro uma queda significativa de 86,7% nos ataques a banco. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o número de casos diminuiu de 15 para dois em todo território gaúcho – um na Capital e outro em São Leopoldo. Essa é a segunda vez no ano em que a redução dos ataques a banco superou 80% – o mesmo ocorreu no mês de abril, quando se vivia um fechamento quase total dos estabelecimentos bancários em função da pandemia do Coronavírus. Além disso, o número também é o menor para outubro desde que teve início a contabilização individual dos crimes contra estabelecimentos bancários, em 2012.
Outro recorde positivo foi que o crime de roubo de veículo apresentou uma redução de 40,3%. Se em setembro o número de delitos envolvendo veículos ficou em 496, dessa vez o crime não ultrapassou 481 registros – bem diferente dos 806 casos em outubro do ano passado. Em função disso, a média caiu para menos de um veículo roubado durante todo o mês nos 497 municípios gaúchos. A redução dos crimes de roubos de veículos, bem como de roubos de pedestres e de crimes violentos letais intencionais (CVLI) está diretamente ligado ao RS Seguro, que tem como foco os 23 municípios mais violentos do estado e nos quais o programa realiza um monitoramento mensal pela Gestão de Estatística em Segurança (GESeg).
O roubo a transporte coletivo, que passou a ser contabilizado individualmente em 2012, segue no menor nível da série histórica e, pela primeira vez, em outubro, teve menos de 100 casos registrados – foram 98, numa queda de 35,1% frente às 151 ocorrências do mesmo mês no ano passado. Na soma desde janeiro, os 1.182 casos atuais representam quase 40% a menos que os 1.940 registrados em igual período do ano anterior. Ainda apresentaram queda em outubro desse ano na comparação com o mesmo mês em 2019 os roubos em geral, que passaram de 5.218 para 3.542 casos (-32,1%); os furtos, de 10.003 para 6.778 (-32,2%); e os ataques a estabelecimentos comerciais, de 666 para 416 ocorrências (-37,5%).
Já o número de pessoas assassinadas em outubro subiu 19,8%, passando de 131 (em 2019) para 157 (em 2020). Desse crescimento, que representa 26 vítimas a mais, 61% corresponde a cidades da Serra Gaúcha, como Flores da Cunha (1), Carlos Barbosa (1) e Caxias do Sul (14) – essa última, onde o crescimento foi mais acentuado, a GESeg intensificou as ações de policiamento ainda na primeira quinzena daquele mês. Um delegado da Polícia Civil e uma equipe de agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Capital foram à Serra com dedicação exclusiva para agilizar a elucidação dos assassinatos. O resultado foi a transferência de oito integrantes de organizações criminosas que estavam na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul, na localidade de Apanhador, para outros presídios do Estado. As investigações mostraram que o grupo estava envolvido com as mortes fora do presídio.
“Embora o resultado para o mês tenha sido negativo, é preciso analisar o contexto como um todo, em que o acumulado de homicídios no estado continua em queda”, pondera a Chefe de Polícia, delegada Nadine Anflor. “Na soma de 10 meses a partir de janeiro, por exemplo, foram 1.499 vítimas de assassinato no ano passado, contra 1.439 neste ano, uma queda de 4%”, calcula ela, enfatizando a importância do RS Seguro, uma vez que as 10 maiores quedas nesse tipo de crime ocorreram em cidades que integram o grupo dos 23 municípios prioritários do programa. A Capital é um exemplo disso. Em outubro, pela primeira vez, desde 2010, Porto Alegre fechou o mês com menos de 20 vítimas de homicídio – foram 16 pessoas assassinadas, 33,3% menos que os 24 óbitos ocorridos no mesmo intervalo de 2019.
Outro crescimento registrado foi o de latrocínios. Enquanto em 2019, o estado havia registrado em outubro dois casos, nesse ano o 10º mês registrou cinco, ou seja, três a mais. A alta, contudo, não altera o cenário de queda no acumulado do ano, com 59 roubos com morte entre janeiro e outubro de 2019 contra 55 em igual intervalo de 2020 – o menor total desde 2009, quando houve 51 registros na soma dos 10 meses. Todavia, se mantém elevado o índice de elucidação desse tipo de crime – das 5 ocorrências do mês passado, em 3 os inquéritos já foram concluídos com indiciamento e remetidos ao Ministério Público. Em um quarto caso, o inquérito está em fase final, mas também já há um suspeito preso. No quinto, as investigações estão avançadas para identificação da autoria.
Em relação aos feminicídios, o estado apresentou uma redução de 56%. É o sexto mês consecutivo de queda. Foram quatro assassinatos de mulheres em razão do gênero no Estado frente aos nove óbitos ocorridos no mesmo mês em 2019 (-56%). Com o resultado, o acumulado do ano teve retração ampliada, com 67 casos nos 10 meses desde janeiro contra 79 de igual intervalo no ano anterior (-15%) – a marca atual é a menor desde 2014, quando houve 58 feminicídios. Entre as ações que têm contribuído para o resultado, as 23 Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deam) intensificaram as apurações de denúncias e o cumprimento de medidas de busca para localização de armamento.

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