Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório – Semana da pátria e eleições

Infelizmente, de modo geral, percebemos que baixou muito o amor à Pátria. Provavelmente, por culpa dos próprios políticos que não honraram a nobre missão de zelar pelo bem comum, deixando-se corromper por interesses corporativos ou buscando seus próprios interesses econômicos, esquecendo a realidade sofrida do povo. 

Neste ano temos eleições municipais, oportunidade para exercermos nossa cidadania de forma consciente. Pátria tem muito a ver com política.  A atual situação de vulnerabilidade provocada pela pandemia exige ainda mais cuidado de todos. 

Os bispos em 2018, diziam: “nas eleições, não se deve abrir mão de princípios éticos e de dispositivos legais, como o valor e a importância do voto, embora este não esgote o exercício da cidadania. É fundamental conhecer e avaliar as propostas e a vida dos candidatos, procurando identificar com clareza os interesses subjacentes a cada candidatura”. 

Algumas orientações práticas para estas eleições em nossa Diocese:

  1. A Igreja Católica não tem partido político e nem candidato próprio, mas tem a missão de iluminar a vida das pessoas e sua missão com a luz do Evangelho e dos valores do Reino de Deus. Para ela, a política é a forma mais perfeita de caridade. 
  2. O leigo católico, tem direito de fazer suas opções políticas e inclusive concorrer a cargos públicos como forma de participação na construção de uma sociedade sempre mais justa e fraterna.
  3. Durante a campanha eleitoral, peço aos candidatos católicos que exercem ofícios específicos junto às comunidades, por prudência, na medida do possível, os suspendam.
  4. Não é permitido apresentar nomes de candidatos dentro da igreja/templo.
  5. Pode-se promover – nos espaços comuns das comunidades – a reflexão sobre temas relevantes ao bem comum com participação dos candidatos, desde que se dê a possibilidade de participação a todos os partidos. 
  6. Não é permitido aceitar qualquer tipo de doação por parte dos candidatos que possa ter conotação de privilégio em função de favorecimento eleitoral.
  7. Sugerimos aos candidatos procurar seus párocos para um diálogo franco e receber orientações sobre sua participação na comunidade nesse período.
  8. As comunidades incentivem seus membros a apresentarem sua candidatura segundo o espírito da Doutrina Social da Igreja.
  9. De modo algum, o católico pode utilizar seu voto como objeto de troca pessoal, ciente que a compra de voto é crime e deve ser denunciado.
  10. Bom lembrar que as leis da “ficha limpa” e de “combate a corrupção eleitoral” devem nortear tanto a ação dos candidatos como dos eleitores.

Mais do que nunca, essas eleições passam pelo caminho da internet. Pedimos muita atenção e alertamos para o cuidado com as “Fake News” (as falsas notícias). Não se deixem enganar. É sempre bom verificar as fontes.

 Não esqueçamos que não podemos ser bons cristãos sem sermos bons cidadãos. Não esqueçamos, também, que voto bom é o voto consciente. 

Para refletir:

Alimento dentro de mim o amor pela Pátria, entendida com o conjunto de realidades do povo brasileiro? Como se manifesta? Rezo pelos governantes para que sejam iluminados no seu serviço de governar? Sinto-me parte dessa rica nação? Como posso contribuir para o desenvolvimento e bem-estar de toda a população?

Textos bíblicos: Ez 33, 7-9; Rm 13, 8-10; Mt 18, 15-20; Sl94

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório

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